Carta aberta de estudante ao presidente Lula.

Por Maria Eduarda Paschoalini
Querido presidente (permita-me te chamar assim),
primeiramente, além de dizer “Fora, Temer”, gostaria de me apresentar. Prazer. Meu nome é Maria Eduarda Paschoalini, mas, em síntese, prefiro Duda. Tenho 16 anos – com título de eleitor feito no dia 10/05, dia do seu depoimento ao Moro, como uma forma de homenagem ao melhor presidente que este país já teve.
Sou de Ubá-MG e tenho muito orgulho de minhas raízes. Futura professora. Filha de professores que não se cansam em lutar para que me proporcionem as oportunidades que eles não tiveram. Minha mãe, professora do Estado, sempre me diz que não tem heranças para me deixar. Por isso, pode investir na minha educação.
A minha herança é a educação. Sempre estudei em escola particular, o que faz com que muitos achem que eu não devo estar na militância. Sabe, muitos falam que eu devo me mudar para escola pública, pois é muito injusto estar na particular. Respondo que é necessária a minha insistência em continuar na rede privada.
Quem sabe eu não consigo conscientizar mais pessoas de que o social é muito mais importante do que qualquer lucro presente em nossa sociedade? Quem sabe eu não consiga trazer mais gente para a difícil e árdua militância? Quem sabe eu não ajude pelo menos uma pessoa a abrir os olhos e não só ver, e, sim, enxergar? Não preciso de ser estudante da rede pública para lutar por uma educação pública melhor. Nem de ser negra para lutar pelos negros, nem de ser homossexual para lutar contra a LGBTfobia. Passei por momentos terríveis no ano passado. Problemas psicológicos tomaram conta de mim. Diagnósticos, remédios. Eis que, um dia, consigo me levantar.
Aceitei o convite de minha mãe para ir a um debate sobre a PEC 55 (Na época, PEC 241) na Câmara Municipal daqui de Ubá. Após um dia inteiro de aula (de 07h00 até 17h30), acompanhei-a. Eu nem gostava de política. Na sinceridade, achava suja, corrupta e chata. Eu só defendia a Dilma, sempre defendi. Colei adesivos na campanha de 2014 e saí às ruas com minha mãe para fazer campanha. Tudo isso por pura influência. Eu não tinha base, nem argumentos. Enfim. Cheguei ao local e minha mãe viu a Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT Minas e coordenadora-geral do Sind-UTE MG, chegando. Ela ficou toda feliz, disse que era fã de Bia. Encantei-me por ela e por sua luta.
A partir daí, encontrei na luta o meu refúgio. Consegui me reerguer. Um mês depois, eu já estava procurando movimentos para participar. Comecei pelo CRB – Na escola (Curso da Realidade Brasileira), em uma escola da rede pública aqui de Ubá. Do CRB, fui para o Levante Popular da Juventude, em que me encontro como militante. Agora, entrei no Parlamento Jovem de Minas de Ubá, além de participar de movimentos de liderança na escola e na igreja. A luta me reergueu. A luta me levantou à vida de volta. Hoje, tenho base e argumentos suficientes para saber defender os meus ideais, o meu ponto de vista. Falando em meus ideais, eles batem com os seus, meu eterno presidente. Entre transtornos e mais transtornos do dia-a-dia, descobri que gosto de lidar com pessoas, de todos os tipos. Não me importo com classe, raça, etnia.
Não me importo com o exterior. Lidar com ser humano é além de aparência. É lidar com sentimento, com psicológico. É lidar com o interior. Eu gosto disso. Dentro desses transtornos, acabei descobrindo que quero ser professora de Língua Portuguesa. Sou apaixonada por nossa língua, nossa cultura, nossa nação, nossa pátria. Quero ser a mudança, tanto na área da educação, quanto em qualquer outra área. Quero descortinar essa vergonhosa e pavorosa jogatina que infelizmente esse grande e belo país está mergulhado.
Então, descubro que entrei em dois barcos difíceis: professora e militante. Sou de esquerda, com todo o orgulho. E digo, com toda a certeza, que não precisei de ser manipulada, doutrinada para acreditar em algo. Não, minha família não é petista (apenas minha mãe). Conclui, por mim mesma, os meus próprios ideais. Estes consistem em prevalecer o social. Igualdade para todos. É o que quero. Não sou pobre, mas também não sou rica. Tenho condições boas. Boas o suficiente para saber que não devo olhar apenas para mim. O mundo não gira em torno de mim. Precisamos de olhar ao nosso redor e ver as diferenças, aprender a respeitá-las.
Precisamos de saber escutar, enxergar o próximo. Faz-se necessário olhar para cada canto do nosso país e entender que a luta é contínua. Pelo norte, nordeste, sudeste, sul e centro-oeste, a luta é por nós e essa luta se subdivide em muitas outras. Eu luto pelo fim do racismo, do machismo, da cultura do estupro, da homofobia e da misoginia. Estes assuntos matam milhares de pessoas diariamente. Por que isso? Nascemos todos iguais e livres. Livres para sermos o que quisermos. Preto, branco, gay, heterossexual, rico, pobre, santo, ateu. Todos nós somos, além de todos os esteriótipos, humanos. Luto para que os meus filhos e para que os filhos dos meus filhos tenham uma educação de qualidade, assim como eu estou lutando para eu ter.  Luto para que a mulher continue conquistando o seu devido lugar em nossa sociedade.
Luto para que a mulher não seja mandada de volta para o lar. Nem seja recatada, nem bela. Luto para que a mulher seja do jeito que ela quiser e esteja no lugar em que ela quiser. Luto para que o negro não seja mandado de volta para a senzala. Nem para que o homossexual seja espancado até a morte. Luto para que não haja a intolerância religiosa. Luto para que não tenhamos mais golpes, em qualquer lugar ou circunstância. Luto contra a corrupção. Luto para que a justiça seja feita, fazendo com que não haja mais impeachments sem crimes de responsabilidade comprovados. Luto por um mundo onde sejamos socialmente iguais. Luto para que a gente vá às ruas sempre. Luto contra o preconceito, a violência e a intolerância. Luto para que a coragem atinja a todas as pessoas, de qualquer idade. A coragem para não nos calarmos diante de tantas injustiças.
Luto para que mais estudantes enfrentem quem quer nos derrubar e soltem a voz. Luto para que ninguém tenha nenhuma palavra presa na garganta. Luto para que nós não elejamos a ganância e o cinismo. Luto contra o fim da poesia. Luto contra o retrocesso, contra o conservadorismo, contra a extinção de direitos. Luto contra governos ilegítimos. Luto para que ninguém fique calado, para que ninguém sofra, seja com tortura física ou psicológica. Luto contra a meritocracia. Luto para que o gás de pimenta, as bombas e meios como estes, não sejam utilizados contra a nossa militância. Luto contra a miséria. Luto contra a fome. Luto contra a invisibilidade de tantos aos olhos da nação. Luto contra o fascismo. Luto para que tenhamos mais ocupações, mais manifestações, mais paralisações. Luto contra a mídia manipuladora. Luto contra o analfabetismo funcional. Luto contra a PEC 55, contra a reforma do Ensino Médio, contra a medida provisória, contra a Reforma da Previdência (PEC 287), contra a Lei da Terceirização, contra a Reforma Trabalhista. Luto para que tenhamos reformas sim, mas uma reforma debatida com profissionais das áreas que sofrerão mudanças.
Luto contra a Lei da Mordaça. Escola sem pensamento crítico/sem partido não é escola. Luto para que a gente não abaixe a cabeça nunca. Luto por minha principal bandeira: a educação. Luto pelo futuro do meu país, do nosso país, do país dos meus filhos e dos meus netos. Luto contra a ditadura, contra a opressão militar. Luto pelos movimentos sindicais. Luto para que o Brasil veja que um filho dele não foge à luta. Luto para que não continuemos com esse cenário abissal. Luto para que não tenhamos que temer. Luto para que tenhamos sempre conhecimento, organização, querer e disposição. Luto para que a resiliência seja constante em nossas vidas. Luto para que a nossa democracia volte, junto com os nossos direitos conquistados ao longo de tanto tempo. Luto para que haja dignidade e honestidade em qualquer área do nosso país. Luto para que ninguém tenha medo de ser feliz, de ter esperança. Luto para que esse cálice seja afastado de nós. Luto para que a chama da esperança se reacenda todos os dias no coração de cada brasileira e brasileiro que ousa lutar. Luto para que o nosso poder popular seja cada vez mais concretizado. Luto para que o sol volte amanhã, sem nenhuma escuridão. O sol vai raiar. A luta não tem fim, é permanente. Só a luta nos garante.
Não há tempo para temer e não temos nada a esperar. É hora de desobedecer. Continuemos nadando contra a correnteza. A minha luta, que é a mesma de tantas pessoas, pode ser vencida. E nós vamos vencer. Jamais vamos desistir. Jamais vou desistir de lutar. Luto é verbo. Verbo é ação. Se existe algo que ainda podemos fazer é resistir. Então, sigamos em frente sempre. Quem sabe assim, a gente consiga minimizar a tolerância de um Brasil tão intolerante. Obrigada, querido presidente, por não se cansar de lutar por nós. Para nós. Conosco. Você é um dos meus maiores exemplos e eu tenho muito orgulho em defender alguém que não era nada. Pobre, filho de analfabetos, imigrante nordestino e operário. Depois, foi sindicalista, deputado. Fundou o PT e foi candidato à presidência da república. Como não era nada, apenas uma voz que acreditava na democracia e acreditava que era possível acabar com a desigualdade, perdeu a eleição três vezes. Mas nunca perdeu a esperança. Por isso, tornou-se tudo.
Gratidão, companheiro, por me ensinar que uma só voz pode ecoar nos corações de inúmeras pessoas. Gratidão por ser quem você é e por me inspirar tanto. Sonho em um dia te conhecer e poder te abraçar, como uma forma de agradecimento por tudo o que você fez e faz por nós. A casa grande surta quando a senzala resolve mandar uma carta ao Lula agradecendo-o por tudo. Conte comigo sempre. Estamos juntos, companheiro!
Com muito amor, companheirismo, resistência, luta, resiliência e força; Duda.
Fonte: Brasil247

CARTA DO POVO BRASILEIRO A LULA

Em 2002, quando se elegeu, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou sua Carta ao Povo Brasileiro, em que se comprometia com a estabilidade econômica; nesta quinta-feira, 1º, dia em que abriu o 6º congresso nacional do PT, ele recebeu uma Carta do Povo Brasileiro, em vídeo produzido pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS); nele, são reproduzidos depoimentos de trabalhadores sobre o legado de Lula e seu papel na luta pelos direitos sociais.

No vídeo, o narrador conta que o povo brasileiro lutou e conquistou mais direitos, mais igualdade, que agora estão ameaçados. “Lula é um cara que fala a verdade e que trabalhou pelo povo. Eu acho que eles têm medo que o Lula volta de novo e faça uma presidência melhor ainda que ele fez”, diz o agricultor gaúcho Jairo dos Santos. “Lula é o maior lutador de todos os tempos para a classe trabalhadora”, acrescenta o pedreiro Leonel Pacheco.

O maranhense de São Luís Ivan Júnior conta que é de uma geração onde a população vivenciou sua transformação através do trabalho. “O trabalhador pôde, por exemplo, ter acesso à sua casa, aos bens de consumo que antes era restritos a uma parcela da população”, afirma.

“No Brasil do Lula, dava para sonhar com a universidade para os filhos, com a casa própria, com uma vida mais decente. Hoje a gente tem que lutar para não perder a aposentadoria e os nossos direitos do trabalhador. Por isso, Lula, o povo brasileiro sente sua falta”, diz o texto.

Assista o vídeo:

O fim do principado

Ascensão e queda da família que comandou Minas Gerais por décadas 


 Por João Gualberto Jr.

 

Um personagem e três momentos

O jovem secretário, 25 anos, tendo vivido mais coisa nos 48 meses anteriores do que muito marmanjo manjado em décadas, despedia-se do avô no leito de morte. Tancredo fora eleito indiretamente, mas não chegou a tomar posse como primeiro chefe de Estado do Brasil depois de 21 anos de ditadura. Aécio, o neto, testemunhou e sofreu in loco, no Hospital das Clínicas de São Paulo, o drama nacional que, antes, era o de sua família. Compadecera-se, possivelmente, a ponto de jurar que um dia envergaria a faixa que o destino negara a Tancredo.

Passados 25 anos, governador reeleito de seu Estado, Aécio homenageou o avô inaugurando a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Era o legado físico de duas gestões bem-sucedidas e bem-avaliadas à frente de Minas Gerais, com as grandiosidades das curvas de concreto de Niemeyer, cheiros de JK em uma “brasilinha” vislumbrada pela estrela da festa, que não escondia de ninguém visar à capital federal propriamente dita. Março de 2010, tinha chovido pra burro: “é a lama, é a lama”. As autoridades diversas, inclusive o finado José Alencar, então vice-presidente, funcionários e a imprensa, todos em belos trajes. A ocasião pomposa pedia e merecia. Mas havia muitas placas de grama ainda soltas e água barrenta correndo pelos leitos reinventados no chão. Os convidados na estica, mas teve quem saísse da lá descalço. O barro cobriu os sapatos.

Agora, a Presidência é sonho impossível, e os palácios erguidos sobre o pântano, o atual governo mineiro cogita até leiloar.Para um jornalista mineiro que se dedica aos feitos da política, assistir ao ocaso político de Aécio e da irmã Andrea e escrever sobre isso demanda filtros de granito para conter os ímpetos da peçonha e virulência. Quanta notícia, quanta reportagem, quanta informação útil à vida dos mineiros foi escondida na gaveta a mando dela e em favor dele, por um projeto de construção de imagem irretocável. A greve da PM em 2004, o Choque de Gestão, o Estado para Resultados, o reerguimento do aeroporto de Confins e outros diversos acontecimentos, só para ficar nos oficiais, passaram pelo crivo da mentora intelectual do irmão. Eram ligações para chefia, pressão e pedidos de demissão de jornalistas. Se Aécio era tão bom quadro para a política nacional, por que demandava tanto controle, tanta blindagem?

Ainda assim, apesar do cerceamento à liberdade de imprensa e de tantos desmandos que se revelam hoje (entre eles, a denúncia de superfaturamento na Cidade Administrativa), merecem festa a prisão dela e o afastamento e possível cassação do mandato dele? Para aquém dos venenos e das vinganças pessoais, a derrocada dos irmãos é mais uma tragédia contemporânea.

No segundo turno de 2014, o tucano “tocou na taça”: eram 19h30, mais ou menos, quando a apuração dava que ele estava na frente de Dilma, que depois reverteu. Foram 51 milhões de brasileiros que confiaram o futuro do país a Aécio. E, por décadas, tantos milhões de mineiros avalizaram-no para deputado federal, governador por duas vezes e senador. Agora, essa pancada. “Quando um príncipe se apoia totalmente na Fortuna, arruína-se segundo as variações dela”.

A acusação que pesa contra o tucano é contundente, e o conteúdo foi gravado: negociou R$ 2 milhões em propina com os donos do frigorífico JBS em benefício de Andrea e do também senador Zezé Perrella (PMDB-MG) e que, para pegar o dinheiro, escolheu alguém que “a gente mata antes de fazer delação”. O golpe fatal não significa o fim político de um homem público apenas, mas daquele que acumulou mais poder e prestígio em Minas Gerais desde a redemocratização. É um guarda-chuva enorme que se fecha depois de ter abrigado uma dúzia de partidos satélites, com centenas de lideranças apaniguadas. Um grupo que ditava as regras do jogo, ungia chapas e candidatos, nutria-os, financiava-os e elegia-os. Assim foi com governador, senadores, deputados e centenas de prefeitos mineiros. O sentimento de orfandade política, hoje, percorre o Estado de Montalvânia a Extrema, de Ituiutaba a Salto da Divisa. Há um latifúndio aberto para a sucessão estadual, e um guarda-chuva fechado.

Para a sucessão presidencial, Aécio é carta fora do baralho. Já está em curso sua destituição da presidência nacional do PSDB, e o tucanato paulista dá de braçadas. Talvez por ter chegado tão perto e por não ter podido aproveitar a chance ímpar de ir aonde o avô não foi, o candidato derrotado tenha agido como agiu. “Quanto mais próximo o homem estiver de um desejo, mais o deseja. Se não consegue realizá-lo, maior dor sente”.

Ele é um dos principais culpados, sim, pela crise de credibilidade política que assola o país, não só por seus malfeitos, como por sua postura. Primeiro, deslegitimou o pleito e, por meio do partido que controla(va), reivindicou recontagem de votos. Depois, processou a chapa vitoriosa, o que pode levar, ironicamente, à cassação de Temer no mês que vem pela Justiça Eleitoral. Por fim, o ódio e o inconformismo, movidos por sua obstinação pessoal e pela contrariedade de ter perdido em casa (em Minas, não em Ipanema) resultaram no golpe parlamentar, que teve entre os tucanos seus mais contumazes fiadores.

Mas agora vem à tona a desfaçatez de quem só fazia por apontar a corrupção sistêmica como método adversário. A criminalização da prática política, imagem que ele hipocritamente denunciou e reforçou na opinião pública, por mero marketing, agora engole a ele e à irmã. Está perdido e atolado até o pescoço. Triste, nada a celebrar, mas “a culpa não é minha”… Cárceres à parte, “o outro nome de Minas é liberdade”.

Fonte: http://www.obeltrano.com.br/portfolio/o-fim-do-principado/

Simplesmente MARISA!

 

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Você nasceu em uma família humilde, é a décima dentre 15 irmãos. Você teve que começar a trabalhar cedo, como babá aos 9 anos, quando toda criança deveria estar brincando. Aos 13 você já é operária, trabalha numa fábrica de chocolates. Com 20 anos de idade você vai trabalhar em uma escola, dando aulas, se casa, forma uma família. Parece que a vida finalmente começa, mas seu esposo morre assassinado quando você está com 4 meses de gravidez. Aos 20 e poucos anos você é viúva, mãe solo (e nesse tempo se falava “mãe solteira”, com todo o estigma que essa expressão carrega) e bom, você resiste porque tem que seguir a vida.

Cruza o seu caminho um rapaz barbudo que trabalha num sindicato e que também é viúvo e veja, ele interessou por você (esse rapaz além de ter perdido a esposa, perdeu também o filho, imagina). Você resiste o quanto pode, afinal você já tinha casado uma vez, já tinha um filho, você já até tinha um outro namoradinho, você queria paz, mas o rapaz foi insistente e bem, te convenceu. Te ganhou. Outra família. Outro casamento. Dessa vez será pra sempre, você acredita. Nove meses e nove dias depois do seu segundo casamento, nasce seu segundo filho.

Você, que recebeu uma educação machista, queria mais da vida além do lar e da maternidade: queria dar aulas, ter uma profissão, fazer cursos, fazer coisas, mas enfim, a vida acabou seguindo seu roteiro próprio e você teve que abandonar seu trabalho para cuidar dos filhos e da casa. Mal imaginava você que você faria muito, muito mais que qualquer profissão ofereceria.

Era 1975, o auge da ditadura militar e seu marido, o barbudo insistente se tornou um líder do sindicato dos metalúrgicos, no ABC Paulista, o maior pólo automobilístico do país então. E o país lutava por democracia. Você e seu marido começavam a escrever a história que mudaria para sempre o Brasil.

Você era recém-casada e abriu seu lar para a resistência, sua casa se tornou o próprio sindicato quando os mesmos foram tomados pela ditadura. Sua sala virou uma trincheira de luta. Qualquer pessoa comum recuaria, buscaria seus próprios interesses, reinvindicaria a casa e o marido para si, o pai dos seus filhos pra eles, mas você sempre soube que o que estava em jogo era maior que sua vida particular: estava em jogo um Brasil melhor para todos. E todAs.

Você também organizava as mulheres: brigando por maior participação feminina nos sindicatos (isso muito antes do partido que ajudaria a fundar futuramente, ser o primeiro a ter paridade de gênero em sua direção). Você acabou sendo mãe e pai, você ia para as reuniões sozinha e quando seus filhos tinham saudade do pai, você o mostrava na Tv, liderando 60 mil pessoas numa assembleia. Não foi fácil, mas o que é, afinal?

Você organizou em plena década de 80, uma passeata de mulheres /mães de operários/ sindicalistas presos, cercada por tropas repressivas da policia militar. Em uma época que levantar cartazes pela democracia dava cadeia, tortura e até morte.

Você não fraquejou, você se agigantou quando foi acordada aos berros e metralhadoras por toda parte: prenderam seu amor, prenderam o pai dos seus filhos. Você não sabia pra onde o levaram. Pra piorar, sua sogra, já acometida de um câncer agonizava. Você a viu morrer quando seu marido era um preso politico.

Você teve que explicar aos seus filhos pequenos que papai não era bandido, o que é democracia, o que é lutar por uma ideologia. Você resistiu. Você resistiu pra ver a saída dele da prisão, fruto da mobilização do país inteiro. Você viu seu marido, o barbudo insistente se tornar um líder, um mito e você gestou com ele a criação de um partido único, um partido que fosse dos trabalhadores. Você ouviu ele dizer que não ia entrar em nenhum dos que existia, porque o país precisava de um partido que fosse do povo e para o povo. Em vez de achar loucura, em vez de você pedir pra ele ficar em casa, você pegou um tecido vermelho que tinha guardado, costurou uma estrela branca e fez com suas próprias mãos a primeira bandeira do que viria a ser o maior partido de esquerda da América Latina.

Sua casa, que nunca foi mesmo só sua e dos seus filhos, a partir dali jamais seria mesmo. Seu lar foi o útero que gestou todas as mudanças que o Brasil viveria nas próximas décadas. E seu marido, deixaria de ser só o seu amor, para vir a ser o maior presidente que a República Federativa do Brasil já conheceu. Sua história nunca foi só sua e resgatar tudo isso é necessário porque “a memória é um pedaço do futuro”.

Quando você foi à Brasilia a primeira vez e viu de perto o poder e seus palácios você teve medo, você falou “vamos parar com tudo isso: esses caras não vão deixar você chegar ao poder nunca. Eles não vão largar isso aqui jamais. Fazem qualquer coisa, mas não abandonam essa vida…” e sem saber, você estava certa de alguma forma. Seu marido chegou ao poder, mas de fato eles não largaram “isso” jamais.

Você suportou em todos esses anos os ataques a ele, a você, a sua família. Você aguentou todos os xingamentos, todas as denuncias caluniosas, todas as capas de revistas que chafurdaram a vida intima de vocês: que acusava seu filho de bens que ele nunca possuiu, de ser dono do que nunca foi. Você viveu cercada de abutres que se dizem jornalistas, que exploravam a sua dor e que muitas vezes riram do câncer do seu marido. Você aguentou o ódio de quem nunca suportou ter perdido o poder para um operário, que nunca conseguiu ver gente pobre e preta nas universidades, com emprego, com renda, com direitos. Você suportou isso de cabeça erguida.

E você nunca quis holofote, nunca bancou a assistencialista, você sempre soube do seu papel nessa história e esse papel nunca foi de coadjuvante, como sempre querem dar a nós mulheres. Você nunca foi uma reles primeira-dama, você sempre foi a companheira, você sempre esteve ao lado e não atrás.. Nunca foi recatada, nem do lar, porque seu lar sempre foi onde as transformações encontraram lugar.

Depois de viver tudo isso, com 66 anos de idade você é acometida de um avc hemorrágico. Seu marido precisa de você, os tempos não são fáceis, te acusam de ter um tríplex, seu país sofreu um golpe de Estado. Tempos sombrios. Você adoece. Você fica inconsciente. Você não sabe mas as pessoas na internet torcem por sua morte, riem da sua doença, saem de suas casas para levantar cartazes, mas dessa vez não pedem democracia, pedem novamente a prisão do seu marido, não respeitam a dor dele, que pode perder a segunda esposa, seu segundo amor. Amor de 43 anos.

Você tá em coma, você não sabe nada do que se passa lá fora. Ainda bem. A sua hemorragia cerebral te poupou de presenciar as cenas que comprovam que a humanidade faliu e você, que ajudou a “Esperança vencer o medo” em 2002 não presencia a pseudo vitória do ódio em 2017. Você finalmente pode descansar. A morte nesse caso é um descanso pra quem lutou a vida inteira. De quem tem a história como testemunha, de quem encerra sua trajetória de mãos limpas, de quem usou suas mãos para fechar em punho e resistir, ao contrário de muitos dos que ficam e que te acusam, que as usaram para agredir e bater panelas motivados unicamente pelo ódio. Sabemos que era ódio agora, onde só resta o silêncio. Nenhuma panela mais ecoa. Como você sentiu e avisou, eles nunca iam deixar mesmo. Mas não foi o ódio deles que venceu, você só descansou. Finalmente descansou.
Descanse em paz.

(Pra nós que ficamos, muito estômago e força)

Facebook de Marília Sampaio

Feliz Natal e ótimo 2017!

Um feliz Natal e um 2017 cheio de sucesso e realizações a todos.

Lula é um criminoso

Por Jonatan Fogaça, em seu Facebook.

Eu não sou o cara mais fã do Lula politicamente, tampouco do PT, minha vertente é Brizolista, do Trabalhismo Brasileiro hoje aprimorada pelo Socialismo acompanhando a minha evolução política.

Lula fez coisas imperdoáveis para esse país, segundo dados do Renato Meireles no seu livro Um País Chamado Favela, 50% das pessoas acima de 30 anos que vivem nas periferias do Brasil já haviam passado fome. Lula acabou com a Fome.

Lula com o Bolsa Família tirou o dinheiro do ócio do BNDS e colocou na mão dos mais Humildes, deu lucro, a cada 1 Real, o Bolsa Família reverte 1, 70 sobre o PIB, mas esse criminoso não parou por aí, obrigou as famílias beneficiárias à provarem a frequência dos filhos na Escola, e também a regularidade do Cartão de Vacina. Um tirano.

A cada MIL crianças que nasciam no Brasil na década de 90, 44 crianças não nasciam vivas, outras tantas morreriam antes dos 3 anos de Idade. Hoje à cada MIL são 16 óbitos muitos relacionados a complicações médicas. Lula reduziu a mortalidade infantil. O programa primeira Infância Melhor é um sucesso.

Lula fez outro crime bárbaro, colocou milhares de jovens pobres e aqui vós fala um deles dentro da Universidade. Seremos a primeira geração de filhos da Produção, do Campo arrendado, da cozinha, da recepção e da Faxina que sairá de toga na História do Brasil.

Lula fez a Caixa subsidiar o maior programa de moradia popular do Hemisfério Sul. Lula fez o crime que os senhores do Aluguel não admitem. Lula viabilizou à milhares de Famílias ter sua casa própria.

Lula reduziu o IPI, aumentou o investimento na Indústria, ajudou a Classe Média e Alta à vender, possibilitou com uma política de juros baixos que o trabalhador brasileiro fosse uma engrenagem economicamente ativa, adquirindo bens de consumo, viajando de avião e até usando perfumes de grifes.

Lula gerou mais de 20 milhões de Empregos com carteira assinada, criou a política de valorização do Salário Mínimo que ajudou também os aposentados.

CONCLUSÃO

Pelo pouco que eu entendo de Direito criminal, Eu, você e você aí que quer o Lula preso. Você que foi vendedor de carro e ganhava comissão, você beneficiário de algum desses projetos no governo Lula, NÓS, somos cúmplices desses crimes, podemos ser enquadrados por receptação de Direitos conquistados no Governo Lula.

Nós somos testemunhas deste crime de melhorar o país. Nossos pais que saíram do Campo no êxodo rural e não puderam estudar também são testemunhas.

Prendam todos nós que ousamos dividir um cinema, uma Praia, uma rodovia com nossos carros, uma mesa de restaurante, uma poltrona de cinema, de teatro, um saguão de aeroporto, uma cadeira de Universidade com essa elite que desde a fundação da República pensou em um país segregacionista, uma Pátria para sí própria.

Caso Lula seja preso, depois da PEC que matará pessoas e crianças, depois da Reforma Trabalhista e da Educação proposta pelo golpista Temer, nós seremos a geração de frouxos que não soubemos contar ao povo a História do Brasil.

Entraremos pra História como uma geração patética, colonizada, ingrata e Virtual.

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Após 1 ano da tragédia, lama do Rio Doce ainda adoece e mata por onde passa

‘Esta água tem uma coisa dentro dela que está acabando com a vida da gente’

Texto: Larissa Gould. Fotos: Leandro Taques. Dona Eliane Gomes da Silva, tem 67 anos, 28 em Cachoeira Escura. No rosto e nas mãos as marcas de uma vida cheia de…
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Dona Eliane Gomes da Silva, tem 67 anos, 28 em Cachoeira Escura. No rosto e nas mãos as marcas de uma vida cheia de privações. Nos convida para entra em sua casa, durante a marcha do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, em sua passagem pelo distrito. O único cômodo é dividido em quarto, sala e cozinha. Nos recebe na porta, sua filha senta em um sofá ao lado, o outro filho ao seu lado, o terceiro deitado em uma cama nos fundos. Começa a falar rápido, antes mesmo de ligarmos os equipamentos. As angustias de mãe têm pressa para serem botadas para fora. Contadas àqueles jornalistas desconhecidos que se colocam em sua frente. No desespero por ajuda, nos confere sua confiança.

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É casada e têm três filhos. Arrimo de família, recebe uma pensão de R$ 600,00 “e ainda pago aluguel”. O marido faz pequenos serviços gerais e de pedreiro para complementar a renda. Os dois pescavam no Rio Doce para fazer um extra. “Era muito bom antes da Lama, o povo todo pescava e nadava. Dava para tomar a água direto do Rio que não tinha problema”, lembra.

Nos mostra as manchas na pele dos filhos, e até do cachorro “Já passei óleo queimado nele, não funciona, um até já morreu”, relata.

A família toda está doente. Assim como os vizinhos. Ela perdeu 30 kg e sente dores no corpo, na barriga e na cabeça. Seu marido  tem uma infecção no ouvido há meses “saí pus com sangue”. A filha de 17 anos teve uma infecção uterina. Todos têm doenças na pele. Mas o caso mais grave, é o do filho mais velho, enfermo na cama: não anda, não fala. “Ontem eu gastei meu último dinheiro para pagar o carro que faz mudança para levar ele na UPA, por que a ambulância não quis vir pegar”. O médico não dá diagnóstico algum. “Disse nada. Perguntou o que ele tinha comido. Digo: é a água. Daí ele não falou mais nada. Aplicou as injeções, mandou tomar uns comprimidos e mandou para casa. Os comprimidos eu não comprei não por que não tenho dinheiro”. Na hora ele até melhorou, mas foi só chegar em casa que já caiu de cama.

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Por conta disso, teve que comprar os mantimentos da família fiado na vendinha local. Não sabe como vai passar até receber. “Liguei na Samarco, eles dizem que ‘vão vir visitar, vão vir visitar’ até hoje não veio ninguém.”
Na conversa, dona Eliane relata, além dos problemas com a água contaminada e doenças, dificuldades para a realização do cadastros dos atingidos, até hoje ela e sua família não receberam o cartão, com o valor de um salário mínimo + 20% por dependente, que a empresa deveria dar aos atingidos.

Veja seu relato (a parte que conseguimos gravar =] )

Jornalistas Livres: O que mudou na vida da senhora e do Distrito depois da Lama?

Eliane: A situação aqui é essa, nós sobrevivíamos dos peixes. Nós não pescava, não era com carteira, mas nós pescava para comer e para vender. E a barragem vai, arrebenta e vai tudo embora as nossas armadilha. Agora, estamos vivendo com as graças do senhor, e nós bebemos dessa água. Por que a bica que tem a outra água é tanta gente que até seca. E nós bebemos dessa água e cozinhamos dessa água e ficamos tudo doente. Esta daqui (aponta para a filha) foi para o hospital 4 vezes, este daqui (aponta para o filho ao lado) deu pereba na perna e no corpo todo. Eu adoeci e tô com gosto de barro na boca.

JL: A família toma esta água todo dia? Existe outra água para usarem?

E: Uai, vai fazer o quê? A gente tem que comer, dinheiro para comprar água mineral não tem. No começo o povo começou a partir as águas mineral aqui. Depois ó (faz um gesto de fim com as mãos) parou. Tavam batendo até nos outros aí por causa de água. Teve até briga, tirando sangue aí dos outros.

Disse que tinha gente pegando água mineral e vendendo. Eles tavam dando para matar necessidade. Mas disse que tavam vendendo água mineral. É por isso que parou. Por causa de uns, outros dançam, né?

Filha: E ninguém mais aguenta ter que ir buscar água na bica.

JL: E onde fica a bica? Como funciona?

E: É uma bica que tem ali embaixo. Tá que nem procissão de tanta gente. Dá até briga naquela bica ali por causa de água. E a água lá quando o sol tá muito quente a água seca. A água seca. E aí a gente tem que beber desta água, cozinhar com ela, tomar banho com ela.

JL: Quantas vez por dia vocês vão buscar água?

Filha: Não dá para ficar ir buscando toda hora, né. Meu pai tem problema na coluna e não pode ficar indo toda hora.

E: Ele tá indo buscar água doente. O prefeito diz que também toma desta água. Eu digo: toma dessa água? Cê é rico, se paga para para buscar água longe e para comprar água mineral. Agora, nós que somos pobres que vive das graças do senhor não temos condições de comprar. Mas Deus vai ver o que faz para nós, por que a minha vida tá sofrida viu? Tá sofrida com esse problema desta água, adoecendo a gente dentro de casa aqui. Não tem jeito não, é só Deus mesmo para tomar conta de nós. O povo já pegou número de CPF e nada.

JL: Mas onde a senhora fez o cadastro?

E: Fiz ali com o pessoal ali, já tem quase um ano e não resolveu nada. Diz eles que cadastrou né, eu ligo para a Samarco e a Samarco todo dia diz que tá vindo aqui visitar. Todo dia eles tão vindo visitar aqui e nunca que eles vêm visitar. Eles tá querendo é isso, que a gente morra. É isso que eles querem. Eu não tenho uma casa, um lugar para mim poder mudar daqui para mim usar uma água que não tem infecção nela. Água não tenho condições de comprar, então a gente tem que morrer aqui mesmo, bebendo a água.
JL: Mas quem fez o cadastro da senhora? Te deu algum comprovante?

E: A gente fez o cadastro lá com o Celso.

JL: Mas o Celso é da Samarco, da prefeitura, de alguma igreja ou instituição?

Não é de igreja não, nem da Samarco, é um homem que conserta televisão. Ele pegou nossos dados e falou para a gente entrar com um advogado. Eu digo, me dá o dinheiro que eu pago o advogado.

JL: Então, na verdade a senhora nem sabe se o seu cadastro foi feito. Esse tal de Celso pegou os dados da senhora, mas não deu nenhum comprovante. A Samarco não veio aqui fazer o cadastro?

E: Não sei.

Filha: Não, não veio ninguém da Samarco aqui.

JL: Nem da prefeitura?

Filha: não, nada.

E: Eu ligo para a Samarco e eles dizem que vão vir nos entrevistar e não vêm. Eu digo, ‘depois que nós estiver tudo no caixão vocês não precisam vir mais não. Não precisa vir.

Filha: E tem um monte de gente recebendo por aí e a gente nada.
JL: E a saúde da senhora?

E: Eu vou secando, vou só secando. Meu peso não é este, meu peso era 60 kg. Eu tô pesando 32 Kg. Aqui em mim (aponta para a barriga) dói tanto que parece que tem uma bola, demora duas horas pra mim conseguir andar e eu tenho que ficar assim (se contraí) parece que tem uma coisa me cortando. Quando eu bebo está água eu vomito, dá vomito. É essa água. Esta água tem uma coisa dentro dela que está acabando com a vida da gente.

Filha: o médico falou que eu não estou mais conseguindo fazer ‘as coisas’ por causa desta água, que dá problema no intestino.

E: Ele ali (aponta para o filho ao lado) pegou pereba na perna, sabe o que eu tive passar? Pó secante. Secou, mas ir por dentro? Como fica?
A gente tá todo intoxicado, aquela ali (aponta para a filha), teve até infecção no útero. Na garganta também. Meu marido tá com o ouvido todo inflamado, sai até pus com sangue.

O único dinheiro que eu tinha, que era para eu fazer compra pra mim comer mais meus filhos, eu paguei o carro para levar meu filho para a UPA. Por que a ambulância não quis socorrer. O restantinho que eu tinha para comer dentro da minha casa. Agora eu precisei de comprar troço fiado pros filho comer. Não sei da onde eu vou arrancar esse dinheiro para pagar.

JL: E os vizinhos?

Mesma coisa. Muitas pessoas aqui intoxico tudo. Aquela vizinha ali (aponta para o lado) adoeceu tudo e perdeu até o pai. O pai da minha vizinha morreu, por causa desta água aí. A água infeccionou ele todo.

JL: E os animais de estimação da senhora?

Morreu até um. Já morreu um cachorro já. Morreu um cãozinho dos meu. Da mesma água que nós bebe, eles bebe. Da mesma comida que nós come eles come. Eu passei óleo queimado no cachorro e não adiantou nada. Um até já morreu.

JL: E um ano depois do desastre? Como tão as coisas?

E: Nada foi resolvido, então eles tá querendo é isso. Que a gente morre.

Fonte: https://jornalistaslivres.org/2016/11/esta-agua-tem-uma-coisa-dentro-dela-que-esta-acabando-com-a-vida-da-gente/

CNBB: “PEC 241 é injusta, seletiva, supervaloriza o mercado e afronta a Constituição”

Conselho Permanente é contrário à proposta que congela gastos com saúde e educação

Em coletiva à imprensa, nesta quinta-feira, 27, o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo.

Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir do ano que vem, as despesas primárias do Estado, como a educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros, para os próximos 20 anos.

Na nota, os bispos afirmam que a proposta é injusta e seletiva. “Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos”, diz um trecho.

O texto, lido pela presidência da CNBB, enfatiza que a proposta supervaloriza o mercado em detrimento do Estado e garante, ainda, que a mesma é um afronte à Constituição de 1988. “Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional”, afirma o texto.

Como sugestão para reverter o caminho, no final, a CNBB afirma que a PEC precisa ser debatida de forma ampla e democrática. Para a entidade, a mobilização popular e a sociedade civil são fundamentais para superação da crise econômica e política. “A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres”, diz o trecho final.

Destaques

Questionado se a CNBB pretende levar à nota ao Congresso Nacional, o presidente da entidade, dom Sergio da Rocha, afirmou que, primeiramente, o objetivo é que ela chegue a todas às comunidades da própria igreja. “É claro que nós temos interesse que os próprios parlamentares conheçam essa reflexão, essa posição da CNBB, especialmente o Senado já que a próxima etapa acontece lá, então estamos dispostos a um diálogo com os poderes”, garantiu. 

Ainda sobre a mesma temática, o vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger ressaltou que pesa sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade. “A sociedade não tem uma participação, ela foi colocada diante de uma situação e nem imagina as consequências, que serão duradouras. Então, se é uma solução ideal para o Brasil, porque não dialogar e envolver toda a sociedade?”, indagou o bispo.

Ainda durante à coletiva, os bispos trataram de assuntos referentes a reunião do Conselho Permanente, ocorrida de 25 a 27 de outubro. Na pauta estiveram a criação da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, o relato da visita da presidência da CNBB ao papa Francisco e a temática da próxima Assembleia Geral dos Bispos, que ocorrerá de 26 de abril a 05 de maio, em Aparecida (SP).

 

 

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 241

 

“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”
 (São João Crisóstomo, século IV)

 

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.

Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?

A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.

A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).

A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.

É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.

A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!

 

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

 

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

 

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

 

Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19744:nota-da-cnbb-sobre-a-pec-241&catid=114:noticias&Itemid=106

Bispo da CNBB classifica PEC 241 como “devastadora e brutal”

Uma PEC devastadora e brutal, a 241

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos e Referencial Nacional da Pastoral da Saúde

 

A proposta de Emenda Constitucional 241/2016 focaliza a transferência de recursos públicos das áreas sociais para o pagamento de juros e para a redução da dívida pública. Estabelece um “Novo Regime Fiscal”, encaminhado para a Câmara de Deputados no dia 15 de junho de 2016. Esta medida de contenção asfixiante, parte de uma premissa falsa segundo o Economista Francisco Funcia, da PUC- SP, que seria a grave situação econômica do país; em nota à imprensa, foi divulgado pelo Ministério da Fazenda, em 24 de junho de 2016: “A situação do Brasil é de solidez  e segurança porque os fundamentos são robustos. O país tem expressivo volume de reservas internacionais e o ingresso tem sido suficiente para financiar as transações correntes. As condições de financiamento da dívida pública brasileira permanecem sólidas neste momento de volatilidade nos mercados financeiros em função de eventos externos. A dívida publica federal Nacional conta com amplo colchão de liquidez”.  Como se verifica na declaração não há no país uma situação caótica que exija um ajuste tão violento e brutal, a ponto de “congelar” as despesas federais no patamar dos valores de 2016, por um prazo de 20 anos.

 

1. Qual o objetivo é finalidade da PEC 241?

A agenda explícita desta proposta é como está na argumentação do governo interino: “estabilizar o crescimento da despesa primária, como instrumento para conter a expansão da dívida pública”. Esse é o objetivo desta proposta de Emenda à Constituição”. No entanto traduzindo para os efeitos reais da sua aplicação, significa cortes drásticos  na saúde, educação, habitação, transportes, etc … para priorizar o absoluto do déficit nominal e da dívida pública. Esta visão econômica, que volta aos anos 90 da hegemonia neoliberal e do Acordo de Washington, deixa claro que a dívida está muito acima da vida do povo e que a economia para ser sanada exige o sacrifício da população especialmente aqueles que não estão incluídos no mercado. Para confirmar esta assertiva o Ministro Henrique Meirelles se posiciona em entrevista do 01/07/2016: “As despesas com educação e saúde são itens que … junto com a previdência, inviabilizaram um controle maior das despesas nas últimas décadas. Educação e saúde inviabilizam ajustes”. Trata-se não só de limitar despesas mas de desconstruir a Arquitetura dos direitos sociais que consolidou o sistema de seguridade social da CF de 1988, quer se eliminar o Estado Social de Direito desmontando o SUS, levando-o a falência e colapso total.

 

2. Se passar esta PEC letal, quais serão as consequências para nossa população?

Se a PEC for aprovada, serão perdidos não somente os direitos sociais inscritos na Constituição Federal, mas a qualidade de vida da população brasileira sofrerá um forte rebaixamento, voltando a expectativas de longevidade bem inferiores às atuais. No caso particular da saúde poderão provocar a ampliação de doenças e, até mesmo, mortes diante da redução de recursos para o financiamento do SUS nos próximos 20 anos. É importante não esquecer que está PEC estabelece que os valores de 2016 serão a base para a projeção de despesas até 2037, ou seja, que não está previsto o crescimento populacional, a mudança de perfil demográfico com o envelhecimento da família brasileira em condições de saúde mais precárias, que demandará mais o sistema, e da incorporação tecnológica crescente neste setor. Para ilustrar o recorte de recursos basta afirmar que esta proposta tivesse sido aplicada no período de 2003-2015 teriam sido retirados do SUS R$ 314,3 bilhoēs (a preços de 2015), sendo somente no ano 2015, R$ 44,7 bilhões, cerca de 44% a menos do que foi efetivado pelo Ministério da Saúde no mesmo exercício.

É conveniente alertar também que a redução de recursos federais para o financiamento do SUS atingirão fortemente Estados e Municípios, pois cerca de 2/3 das despesas do Ministério da Saúde são transferidas fundo a fundo para ações de atenção básica, média e alta complexidade, assistência farmacêutica, vigilância idemiológica e sanitária, entre outras.

 

3. Existe outro caminho que os cortes na saúde, e o recuo nos direitos sociais?

A pesquisadora em saúde da ENSP/ FIOCRUZ e Diretora Executiva do CEBES, a Dra. Isabela Soares Santos, dá uma resposta positiva citando o Economista de Oxford Dr. David Stuckler que estudou a política econômica de austeridade em 27 países (1995-2011). Este renomado cientista gerou o chamado “multiplicador fiscal ” que mostra o quanto de dinheiro se consegue de volta com diferentes gastos públicos. Os melhores índices multiplicadores vem de gastos com educação e saúde, os piores com a defesa. Ele argumenta: “Saúde é oportunidade de gerar economia e crescer mais rapidamente. Se cortar em saúde, gera mais mortes, aumento e surtos de infecções por HIV, TB, DIP, aumento dos índices de alcoolismo e suicidio, aumento dos problemas de saúde mental, risco de retorno de doenças erradicadas. Saúde não deve ser cortada em situação de crise,  pois os governos deveriam investir mais em saúde em tempos de crise, para sair dela”. Os próprios diretores do FMI criticam as políticas recessivas de inspiração neoliberal (site da BBC.com,  30 de junho de 2016), em vista disso, o tripé econômico de meta inflação, altos juros e superávit primário trás como consequências: o aumento da desigualdade, colocam em risco a expansão duradoura e prejudicam seriamente a sustentabilidade do crescimento.

 

4. Não seria o caso de ampliar os arranjos públicos privados e favorecer o seguro privado (PHI) para sair de crise? 

Na verdade, nestes arranjos públicos privados o sistema público perde (maiores e mais complexas filas), o arranjo contribui para a iniquidade no financiamento no acesso e no uso, o arranjo não diminui a demanda por serviços e financiamento, o arranjo não contribui para os objetivos gerais do SNS (equidade, universalidade e solidariedade), não há evidência que o PHI alivie o SNS. É interessante constatar que a União Europeia proíbe os países membros de regular o PHI quando houver SNS, com o argumento de defender o “sistema estatutário”, que foi escolhido pela nossa Nação na CF/1988. Lamentavelmente o que vemos é uma aposta crescente no setor privado o que contribui para a segmentação do sistema de saúde brasileiro como um todo, introduzindo a lógica mercantil, abandonando a luta histórica do movimento sanitarista brasileiro que conseguiu a implementação do SUS e sua inserção na Carta Magna, garantindo saúde integral e universal para toda a população.

 

5. Que fazer para impedir a PEC 241 e os seus desdobramentos perversos na seguridade social e na saúde? 

Em primeiro lugar é necessário ter clareza que esta desconstituição do SUS se apoia na ideologia do Estado Mínimo e no retorno a uma Democracia restringida, tutelada, com os direitos sociais à míngua. O problema para estes economistas sem coração é o estado, o tamanho do SUS. Em compensação não há medidas para penalizar os mais ricos, achatar as desonerações fiscais, ou para reduzir os juros: o ajuste acaba se concentrando nas despesas que garantem os direitos sociais como meio de criar superávits primários crescentes, visando a diminuição da dívida pública, de acordo com o economista e doutor em saúde coletiva do IMS-UERJ, Carlos Otávio Ocké-Reis. Na prática, assistiremos ao desmonte do SUS e a privatização do sistema de saúde, onde todo esforço para melhorar as condições de saúde das famílias brasileiras ficará à deriva, prejudicando os recentes avanços obtidos no combate à desigualdade e acesso universal à saúde coletiva.

Em segundo lugar devemos manifestar nosso repudio e indignação, pensando como sempre nos mais pobres que serão as vítimas principais desta política antipopular contra a vida. Conclamar a uma mobilização geral em defesa da Constituição, do Estado Social de Direito, da Seguridade Social e do SUS. O SUS é nosso, o SUS é da gente, direito conquistado, não se compra nem se vende! Que Jesus o Rosto da misericórdia do Pai, nos ilumine e nos fortaleça na caminhada e defesa de saúde integral e universal para todos os brasileiros /as.

 

Campos dos Goytacazes, 18 de Julho de 2016.

 

 

Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19208:uma-pec-devastadora-e-brutal-a-241&catid=391&Itemid=204

Sada/Cruzeiro não deixa dúvidas: é o melhor do mundo

 

Sada Cruzeiro atinge glória máxima de um clube pela terceira vez

Título mundial veio após vitória sobre Zenit Kazan, em Betim; prepotência russa foi derretida no caldeirão do Divino Braga

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Vitórias podem aparecer para muitos, mas a glória só chega para quem realmente merece. Não se faz um time multicampeão da noite para o dia e perpetuar resultados tão grandiosos é feito para poucos. Pela terceira vez na sua história, o Sada Cruzeiro é o campeão mundial de clubes de vôlei masculino. O mais novo e importante título veio neste domingo após vitória por 3 a 0 (25/21, 25/23 e 25/15) sobre o Zenit Kazan, da Rússia, na final do Mundial, que teve o ginásio Divino Braga, em Betim, como palco.

Ter sido campeão do maior torneio de equipes do planeta em 2013, foi além do que qualquer outro time na história do país já havia conseguido. O segundo título, em 2015, levou o time cruzeirense para um novo patamar. Se um já era algo nunca conquistado por um time brasileiro, o segundo título fez com que dificilmente a marca fosse igualada em breve.

Três, então, é demais. Quando um outro time do nosso país chegar neste nível, muito de nós poderemos não estar mais por aqui. O tempo dirá.

O que se mostrava improvável há alguns anos, hoje se tornou uma meta audaciosa mas possível de ser buscada pela equipe cruzeirense. O topo do mundo já esteve longe, mas hoje é algo palpável, que se mostra perto de ser concretizado a cada Mundial que se inicia.

Ter chegado pela primeira vez pareceu surreal e as duas seguintes confirmam que estamos diante de algo espetacular, mostrando que nenhum supertime da gelada Rússia é imbatível. O calor brasileiro derreteu a prepotência europeia, que parecia ter certeza de que estava sempre à frente e nunca seria ameaçada.

Barreiras não param de aparecer no caminho azul e, uma por uma, elas vão sendo batidas para galgar o maior clube brasileiro de todos os tempos para degraus mais altos e inspiradores.

O melhor de tudo é que, certamente, tem mais por vir. Em breve, chegará mais uma decisão de SuperCopa, a Superliga, a Copa Brasil, uma rotina já conhecida pelos campeões que parecem se encher de ânimo a cada vez que pisam em uma quadra.

Ter conquistado tudo, por mais de uma vez, não causa nenhum tipo de efeito reverso como acomodação. Pelo contrário, cada desafio que aparece é a chance de reafirmar todas as expectativas depositadas e confirmar que estamos mesmo diante de lendas. Daqui a 20 ou 30 anos, o Sada Cruzeiro será lembrado como o time brasileiro que ganhou tudo, de todos.

Felizardos são aqueles que conseguiram a proeza de bater um time histórico, que tem na manutenção da sua base o maior segredo para tantas conquistas seguidas.

O argentino Marcelo Mendez conduz o time com uma maestria singular, conseguindo tirar o melhor de cada jogador e mostrando uma capacidade de estudo dos adversários que faz a diferença para o resultado final. O que não faltam, em mais uma conquista, são merecedores.

Este é o plantel da equipe celeste:

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 Fonte: http://www.otempo.com.br/hotsites/mundial-de-v%C3%B4lei-2016/sada-cruzeiro-atinge-gl%C3%B3ria-m%C3%A1xima-de-um-clube-pela-terceira-vez-1.1389854